Cada um tem seu primeiro amor, sua primeira escolha. Na década de setenta a vida era muito diferente da atualidade, mas era o que eu tinha disponível no momento.

  • Desmonta e depois monta, com sorte funciona
  • Felicidade em duas rodas
  • Admirável mundo novo

O interesse de descobrir como as coisas funcionam me impulsionou a desmontar um relógio despertador quando tinha apenas 5 anos. Claro que ele já não funcionava e muito menos depois do feito, mas tive mais felicidade com minha bicicleta, depois uma moto e assim por diante.

Em 85 comprei uma Garelli Katia usada já bem envelhecida e enferrujada. O preço foi irrisório devido ao seu estado. Levei a pequena sucata para casa e a desmontei totalmente. Meu pai duvidou que eu tivesse êxito em montá-la, era a forma que ele tinha para me impulsionar a ser melhor do que seus padrões. Encarei o desafio e com muito esforço conquistei meu direito de ir e vir motorizado. Pouco tempo depois troquei a motoneta por um ciclomotor, uma Garelli 3. Foi quando entrei na Escola Técnica Federal para aprender ainda mais sobre o tema. Observei que eu tinha muita vocação para desenho mecânico, ainda no tempo do papel vegetal e tinta nanquim.

A Garelli se transformou em um Turuna, depois uma DT 180 e num acidente de moto que mudou minha vida completamente. Bem que meu pai me dizia que só me daria uma moto quando me quisesse morto. Meu acidente foi bem na frente dele e, em 1988 eu morri.

Assim morreu também meu interesse pela mecânica. Quando ressuscitei e voltei à ativa, a minha realidade era completamente diferente então me reinventei e saí em busca do meu próximo amor.