Tenra infância

Meu passado foi repleto de mudanças saudáveis. Desde que me conheço por gente me vejo como líder e influenciador. A fruta não cai longe do pé, em seu tempo o meu pai fez coisas incríveis e foi um grande líder que fez história e deixou um belo legado. Sempre fui empreendedor e usei o meu melhor do meu entorno para produzir felicidade, conforto e claro o meu sustento. Fazendo uma retrospectiva nostálgica e descontando o período entre meu nascimento até tenros 13 anos, considero que os 37 anos seguintes foram bem produtivos. Antes de tudo, vivi em um mundo diferente do que conhecemos hoje pois brincávamos na rua e praticávamos atividades ao ar livre como jogos com bola, bicicleta e skate.

Dos 13 aos 16 a bicicleta me tornou famoso pela dedicação ao “bicicross”. Naquela época, hordas de ciclistas mirins invadiam terrenos baldios onde algum caminhão havia depositado um monte de terra. Basicamente usávamos qualquer protuberância para executar saltos ornamentais mas, por trás disso, havia todo um trabalho de liderança pois gostávamos de fazer isso em grupo. Assim, a coordenação para a preparação do terreno e a reunião dos amigos para o usufruto coletivo era feito por estas lideranças. Absorvi também a liderança dos skatistas locais, assim como de algumas atividades festeiras.

Nesta época, em Florianópolis, vivíamos em uma ilha exuberante e pouco explorada. Era costume dos grupos que eu frequentava escolher um destino para o fim de semana para irmos com nossas bicicletas e retornar no dia seguinte, claro, explorando outro caminho. Eram eleitos naturalmente os líderes que fossem mais dispostos e que tivessem históricos de sucesso. Os dissidentes formavam outro grupo e iam para onde quisessem.

Mesmo que parcos naquela época, eventos para o público infanto-juvenil não eram acompanhados pelos pais. Assim, era colocada em nossa responsabilidade a participação destes. Lembro que, com quinze, num campeonato que participei, sofri um acidente em uma das corridas. Por mais que doesse não tinha ninguém pra dizer “oh coitadinho, chama o samu”, ainda tive que pedalar por 3 horas até chegar em casa e no dia seguinte, ainda levei uma bronca por terem que me levar pra engessar o pulso. Ainda bem que foi o esquerdo e sou destro, assim a perda do movimento por 21 dias não trouxe tanto transtorno. Cito Chico Science, “Tem gente que é como o barro, que ao toque de uma se quebra ... Outros não, ainda conseguem abrir os olhos e no outro dia assistir TV”.